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Parcelar em 12× custa 3 vezes mais em uma maquininha que em outra

O primeiro Índice de Taxas de Maquininha mostra que parcelar uma venda em 12 vezes pode custar quase 3 vezes mais numa adquirente do que em outra. Veja o custo mensal do lojista médio, maquininha física vs TAP e a cobrança do Pix — dados de julho de 2026.

Vagner Le Roy · Publicado em 03/08/2026 · Atualizado em 03/08/2026
Parcelar em 12× custa 3 vezes mais em uma maquininha que em outra

Duas lojas na mesma rua, com o mesmo faturamento, aceitando o mesmo cartão. Uma paga 11,27% para parcelar uma venda em 12 vezes. A outra paga 33,15%.

A diferença não está no cartão, no prazo ou na bandeira. Está apenas em qual maquininha cada uma escolheu — e nenhuma das duas provavelmente sabe disso.

Este é o primeiro resultado do Índice de Taxas de Maquininha, que passamos a publicar mensalmente com base na nossa própria série de dados: 237 planos de 41 adquirentes, verificados um a um.

O que o lojista médio paga

Para calcular, precisamos de um lojista de referência. Adotamos este perfil:

R$ 17.000 de faturamento mensal, pessoa jurídica, recebimento em até dois dias úteis, bandeiras Mastercard e Visa, sem plano promocional. Mix de vendas de 30% débito, 40% crédito à vista e 30% parcelado — proporção derivada do balanço trimestral da ABECS.

Com esse perfil, o custo mensal em julho de 2026 foi:

  Maquininha Celular (TAP)
Custo mensal R$ 833,78 R$ 727,21
Débito 1,373% 1,009%
Crédito à vista 3,455% 3,296%
Crédito 6x 10,369% 8,855%
Crédito 12x 15,876% 13,505%

O crédito 12x é acompanhado pelo Índice para efeito de comparação entre adquirentes, mas não entra no mix de custo do lojista de referência (30% débito, 40% crédito à vista, 30% crédito 6x) — por isso não compõe o total de R$ 833,78 / R$ 727,21 acima.

Ou seja: o pequeno lojista brasileiro gasta cerca de R$ 10 mil por ano apenas para receber por cartão.

Onde a escolha realmente pesa

A tabela acima esconde o achado mais importante. Veja a distância entre a adquirente mais barata e a mais cara em cada modalidade:

Modalidade Mais barata Mais cara Diferença
Débito 0,95% 1,99% 2,1x
Crédito à vista 2,99% 4,99% 1,7x
Crédito 6x 7,30% 17,79% 2,4x
Crédito 12x 11,27% 33,15% 2,9x

No débito, escolher errado custa caro mas não é dramático. No parcelamento longo, a escolha muda o resultado do negócio.

Um exemplo concreto. Uma loja que vende R$ 5.000 por mês em 12 vezes:

  • na adquirente mais barata da cesta, paga R$ 564
  • na mais cara, paga R$ 1.658

São R$ 1.094 a mais por mês. R$ 13.128 por ano — pelo mesmo serviço, no mesmo prazo, com o mesmo cartão.

E há uma ironia nisso: o parcelado é justamente a modalidade que os lojistas menos comparam. Quase toda propaganda de maquininha destaca a taxa de débito, que é a menor e a mais fácil de exibir. É também onde a diferença entre concorrentes menos importa.

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Vender pelo celular é mais barato — e a diferença não é pequena

Os terminais que dispensam maquininha física — o chamado TAP, em que o próprio celular lê o cartão por aproximação — saíram mais baratos em todas as modalidades.

Para o lojista de referência, a economia é de R$ 106,57 por mês, ou 12,8% do custo total. Na taxa de débito, a diferença chega a 26%.

Isso faz sentido do ponto de vista de quem oferece: não há hardware para fabricar, distribuir nem repor. O que chama atenção é que a economia esteja sendo repassada ao lojista de forma tão consistente — em algumas adquirentes, a mesma empresa cobra quase o dobro no terminal físico.

A contrapartida é conhecida: o TAP depende do celular do operador, exige aparelho Android com NFC, e não imprime comprovante. Para muitos negócios isso é irrelevante; para outros, inviabiliza.

Metade das adquirentes cobra pelo Pix

Um dado que costuma passar despercebido na hora de contratar: entre as 10 adquirentes da nossa cesta, quatro oferecem Pix gratuito e quatro cobram — de 0,40% a 0,99%. Duas não divulgam.

Vale lembrar que essa cobrança é evitável. O lojista pode receber Pix pela chave do próprio banco, sem custo e sem passar por adquirente nenhuma. A taxa da maquininha remunera a conveniência — QR na tela, baixa automática, conciliação junto com as vendas de cartão — não o acesso ao Pix.

Se o Pix é fatia relevante do seu faturamento, é uma conta que vale fazer antes de assinar.

Como o Índice é calculado

Publicamos a metodologia completa, mas o essencial é:

  • Uma empresa, um voto. Cada adquirente entra com um único plano — o mais barato para o perfil de referência. Sem isso, quem cadastra mais variações de plano dominaria a média, e o Índice mediria o nosso cadastro em vez do mercado.
  • Sem taxas promocionais. Tarifa de 30 dias com teto de faturamento não descreve o custo estrutural de um negócio. Elas aparecem no nosso ranking, devidamente sinalizadas — mas ficam fora do Índice.
  • Maquininha e TAP separados. São produtos com estruturas de preço diferentes. Uma média que juntasse os dois não descreveria nenhum deles.
  • Número publicado não muda. Se encontrarmos um erro depois da publicação, a edição recebe uma errata pública — nunca uma correção silenciosa.

E declaramos o que o Índice não mede: aluguel de terminal, preço do aparelho, tarifas de transferência, antecipação avulsa e descontos negociados individualmente. É um índice de taxa de transação.

O que fazer com isso

Se você aceita cartão, três perguntas valem cinco minutos:

  • Qual é a sua taxa de parcelamento em 12x? Não a de débito — a de 12x. É onde a diferença entre adquirentes é maior, e é a que menos gente conhece.
  • Quanto do seu faturamento é parcelado? Se for acima de 20%, a escolha da maquininha pesa mais do que você imagina.
  • Você paga pelo Pix? E, se paga, o volume justifica?
Veja o Índice completo
Tabela do mês, comparativo entre maquininha e TAP e um simulador para ajustar faturamento, mix e prazo ao seu negócio.
Abrir o Índice de Taxas

O Índice de Taxas de Maquininha é publicado mensalmente pela Calculadora de Taxas, com base em dados verificados diretamente nas tabelas públicas das adquirentes. Dados livres para uso, inclusive comercial, mediante citação da fonte e link. Edição de julho de 2026 · Metodologia v1.

Vagner Le Roy

Bacharel em Ciência da Computação com especialização em Arquitetura de Software, criou em 2016 o Calculadora de Taxas com o objetivo de trazer mais transparência ao mercado de maquininhas de cartão no Brasil.

Desde então, acompanha de perto a evolução das taxas, planos e funcionalidades das principais empresas do setor, como adquirentes e subadquirentes, analisando na prática como essas mudanças impactam o dia a dia de quem vende.

Hoje, atua como especialista em meios de pagamento, sendo responsável pela curadoria, validação e atualização das informações publicadas no site - sempre com foco em ajudar empreendedores a pagar menos taxas e tomar decisões mais seguras.

Ao longo dos anos já ajudou milhares de usuários a comparar taxas e escolher a melhor maquininha para seus negócios.

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